REFLEXÕES POLÍTICAS

REFLEXÕES POLÍTICAS
Noemi Pinheiro Xavier - Professora e diretora de escola. Mestre e Doutora em Educação.

Sempre fui alguém que observa, pensa e busca lições no cotidiano. É um hábito que cultivo em minhas caminhadas, quando, passo a passo, as ideias começam a surgir como sementes enterradas, aguardando o momento exato para florescer e provar que sua existência não era em vão.

Em uma dessas caminhadas, fui surpreendida por uma carreata política. Uma procissão barulhenta de carros e ônibus, buzinas ensurdecedoras, bandeiras agitadas e militantes exaltados bradando o mesmo refrão de sempre: "Este vai mudar o nosso país!"

Confesso que esse tipo de discurso já não me comove, tampouco me convence. Pergunto-me: mudar em quê? Na educação? Na gestão pública? No uso dos recursos? Ou apenas na retórica vazia que enche os palanques, mas não transforma a vida real?

As últimas eleições têm sido um desafio. É difícil escolher alguém sem temer a decepção:

  • Quando votamos pelas propostas, descobrimos que poucas são efetivadas.
  • Quando escolhemos pela personalidade, muitas vezes nos deparamos com um caráter duvidoso.
  • Quando confiamos em partidos, somos traídos ao vê-los envolvidos nos mesmos esquemas que outrora criticavam.

Então, como continuar acreditando? Como alimentar a esperança?

Nesse momento de ceticismo, lembro-me de uma frase das Escrituras que ecoa em minha mente: "Andava fazendo o bem." Essa referência a Jesus, que não buscava estabelecer um governo terreno, revela uma forma genuína de transformar o mundo – não pelo discurso, mas pela ação.

Imagine, então, se os candidatos adotassem uma abordagem diferente. Em vez de prometer "vamos fazer isso ou aquilo", que tal dizer: "Durante os meses que antecedem nossa campanha, vamos demonstrar nossas propostas em ação"?

Pense em um cenário onde militantes e apoiadores, em vez de erguer bandeiras e gritar slogans, invadissem um bairro para trabalhar – limpando ruas, reparando esgotos, ajudando famílias em dificuldade, reformando casas, plantando esperança. Mesmo que fosse apenas uma rua ou uma casa transformada, o impacto seria imenso.

E se isso se tornasse a norma? Uma corrida para fazer o bem, onde cada partido mostrasse, com gestos concretos, sua competência e compaixão. Chegado o dia da eleição, votaríamos com dignidade, escolhendo não quem gritou mais alto, mas quem demonstrou mais bondade, mais competência, mais integridade.

Consigo até imaginar as manchetes nos jornais:

  • "Partido X revitaliza bairro Y em ação comunitária!"
  • "Militantes reformam escola pública destruída por temporal!"
  • "Candidatos unem forças para reconstruir a casa da Dona Maria!"

E ao final do processo, independentemente de quem vencesse, todos já teriam deixado um legado de transformação, porque, de fato, "andaram fazendo o bem."

Talvez isso seja um sonho distante, mas quem sabe um dia alguém tenha um "insight" e mude o rumo dessas campanhas. Até lá, cabe a cada um de nós, mesmo diante de um cenário adverso, fazer sua parte.

Como na história da pequena ave que, ao ver a floresta em chamas, carregava uma gota d’água no bico para apagar o incêndio:

– "Estou fazendo a minha parte!"

Assim também seguimos, sendo pequenas gotas no vasto oceano, mas gotas que fazem diferença.

"Sou uma pequena gota no oceano, mas sou uma gota!" – Madre Teresa de Calcutá

Noemi Pinheiro Xavier é professora e diretora de escola. Possui mestrado e doutorado em educação.