CONSEQUÊNCIAS DA FORMA DE FALAR

Artigo

CONSEQUÊNCIAS DA FORMA DE FALAR
, por V. A. Duarte

“A reposta branda desfia o furor, mas palavra dura suscita a ira” Pv 15.1

A maneira que adotamos de falar, produzirá consequências. A consciência deste fato pode nos ajudar a refletir sobre a forma correta de falar e, assim, evitarmos muitos transtornos e dissabores nos relacionamentos. Entenda que quando alguém já está emocionalmente alterado, a maneira branda de falar irá aplacar seu sentimento e, de acordo com a Palavra de Deus, desviar seu furor. Por outro lado, uma palavra dura irá suscitar a ira. Portanto, precisamos aprender com a sabedoria bíblica, bem como com a humildade de Jesus a sermos brandos em nossa forma de falar, pois, se não agirmos dessa maneira toda e qualquer tentativa de discutir a relação – no caso de namorados, cônjuges - terminará em briga. Quando as emoções já se encontram carregadas, palavras duras só fazem crescer a ira já represada dentro do outro.

Depois de anos de casamento e anos ouvindo pessoas no ministério pastoral comecei a entender um pouco mais do porquê as mulheres se queixam tanto com seus maridos sobre a forma de falar. A célebre frase “não é o que você fala e sim como fala que incomoda” repetida pelas esposas em todos os lugares, é mais do que uma grande coincidência. É um fato! A forma de falar tem sido um grande gerador de problema para os relacionamentos, especialmente a forma de falar dos maridos! No trabalho o mesmo pode ocorrer, na verdade nós devemos e precisamos cultivar o modo brando, cavalheiro, educado de falar com o próximo, escolhendo sempre palavras doces. Não adianta ser excessivamente duro em exercitar direitos e opiniões. Muitas vezes, as consequências de nossa falta de sensibilidade no falar são desastrosas! Como disse antes, tenho aprendido muito nesta área após anos de casamento, pastorado, leitura de bons livros, cursos, e através dos ensinos da Bíblia Sagrada.

Aliás, a Palavra de Deus registra fatos interessantes sobre esse tema. Por exemplo, no Novo Testamento vemos que a inflexibilidade trouxe grande dano à Igreja de Jesus, separando dois gigantes do apostolado aos gentios: Paulo e Barnabé. Observe o que relata o texto bíblico: “Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão. Ora, Barnabé queria que levassem também a João, chamado Marcos. Mas a Paulo não parecia razoável que tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no trabalho. E houve entre eles tal desavença que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor.” Atos 15.36-40.

Barnabé queria dar uma segunda chance a João, chamado Marcos, uma vez que, na primeira viagem missionária, ele havia desistido logo no início, em contrapartida, Paulo, acreditava que, justamente por ter desistido, João, chamado Marcos não poderia ir nesta segunda viagem missionária. Ouço pessoas advogando a causa dos dois lados, de modo que há os que defendem o posicionamento mais emocional de Barnabé como quem acredita nos outros e há quem defenda a coerência lógica racional de Paulo de que viagem missionária não é brincadeira e que, pelo comportamento errado da primeira viagem, Marcos ainda não estava adequadamente maduro para a nova convocação. Particularmente, vejo um pouco de razão em cada um, pois na vida não se pode agir única e exclusivamente pela razão ou, em contrapartida, pela emoção. O equilíbrio na tomada de decisões é sempre bem-vindo, mas, a questão que envolveu a discussão de Barnabé e Paulo não é quem tem a razão; trata-se de sensibilidade.

Nota-se que cada um foi inflexível em seu posicionamento e, pela discussão de quem seria (ou não) um ajudante a mais, perderam a companhia principal, a parceria que Deus havia gerado desde o início (Atos 13.2). É necessário entender que o relacionamento vale mais do que se ter a razão na discussão. Sabemos que depois houve algum concerto entre eles, pois Paulo, muitos anos depois, fala de Marcos como tendo sido reintegrado à equipe: “…Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” 2 Tm 4.11.

Particularmente creio que não devemos ser excessivamente duros em exercitar direitos e opiniões, pois as consequências de nossa falta de sensibilidade no falar podem ser desastrosas para os nossos relacionamentos com cônjuge, familiares, amigos etc.