Chamado de comunista, Fábio Trad segue exemplo do pai que lutou contra ditadura

Edivaldo Bitencourt

Chamado de comunista, Fábio Trad segue exemplo do pai que lutou contra ditadura
Patriarca da família Trad, Nelson foi deputado federal, lutou contra a ditadura militar e chegou a ser chamado de comunista (Foto: Arquivo)

Ao se filiar ao PT, o ex-deputado federal Fábio Trad segue o exemplo do pai, Nelson Trad, que morreu aos 81 anos em 7 de dezembro de 2011. O patriarca da família Trad lutou contra a ditadura militar, foi preso político e chegou a ser chamado de comunista.

Nos últimos dias, o senador Nelsinho Trad (PSD), mais alinhado à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), criticou o irmão por optar pela esquerda, apesar de ter forjado a carreira política no campo de centro direita.

Ex-presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul) e advogado criminalista, como o pai, Fábio ganhou notoriedade nas redes sociais ao ser duro crítico do bolsonarismo, da extrema direita e dos defensores de um golpe de Estado. 

O ex-deputado se transformou no grande defensor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da democracia. Ao contrário de Nelsinho, ele culpa Bolsonaro e o filho, Eduardo Bolsonaro (PL), pelo tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump e defendeu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por considerá-lo baluarte da democracia brasileira. 

Enquanto Fábio se alia à esquerda e sinaliza integrar a frente ampla em defesa da democracia e da reeleição Lula, Nelsinho tem seguido a linha de defesa de Bolsonaro e crítico de Alexandre de Moraes.

Fábio se encontra com a secretária de Governo, Gleisi Hoffmann, e oficializa ingresso no PT (Foto: Arquivo)

Exemplo de pai

Descendente de libaneses, Nelson Trad passou por diferentes partidos, desde o MDB até o PDS, passando por PTB, PSD e PFL. Formado em Direito pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) em 1957, ele atuou em Mato Grosso do Sul como advogado criminalista e entrou na política.

Ele comandou uma greve que parou a linha de bonde do Rio de Janeiro e foi relatado pelo ex-deputado em uma entrevista à TV Assembleia. “O movimento saiu da minha faculdade, do Catete, e até hoje alguns remanescentes lembram com saudades”, disse.

O protesto rendeu a Nelson Trad a fama de “baderneiro” e de “comunista”. Ele chegou a atuar como advogado do PCB (Partido Comunista do Brasil). “Alguns afirmaram de forma segura: esse é um comunista”, relembrou. 

Durante a Ditadura Militar, Nelson Trad ficou preso por 25 dias e ficou na clandestinidade. “Fui um dos primeiros advogados do Brasil a impetrar habeas corpus contra prisão ilegal, cerceando a nossa liberdade de ir e vir”, contou. 

Nelson Trad atuou como deputado federal até dezembro de 2011, quando morreu aos 81 anos. Dos filhos, apenas a psicóloga Maria Thereza de Assis Trad Alves, a Tetê, tentou a carreira política, mas não conseguiu se eleger deputada estadual. 

Nelsinho Trad foi vereador da Capital, deputado estadual, prefeito da Capital por dois mandatos e senador da República. Marquinhos Trad foi vereador, deputado estadual e prefeito da Capital por dois mandatos. 

Fábio Trad foi deputado federal. Agora, no PT, ele é cotado para disputar o Governo do Estado em 2026. O ex-deputado diz que a prioridade e sua vontade pessoal é tentar retornar à Câmara dos Deputados, mas não descarta participar de um projeto para ajudar na reeleição de Lula. 

Os dois irmãos já tentaram o Governo. Em 2014, Nelsinho terminou em 3º lugar, enquanto em 2022, Marquinhos ficou em 6º.

Enquanto irmão se alinha com o PT, Nelsinho atua mais na defesa de Bolsonaro e aumenta as críticas contra Lula (Foto: Arquivo)