A Pàscoa e seu rico Significado

V.A. Duarte.

A Pàscoa e seu rico Significado
Pastor Valdenir Duarte

1 – E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: 2 – Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. 3 – Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa. 4 – Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro. 5 – O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras 6 – e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. 7 – E tomarão do sangue e pô-lo-ão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem. 8 – E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão. 9 – Não comereis dele nada cru, nem cozido em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés e com a fressura. 10 – E nada dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até pela manhã, queimareis no fogo. 11 – Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do SENHOR. Êxodo 12.1-11. A Páscoa foi instituída por Javé para que os israelitas celebrassem a noite em que Ele poupou da morte todos os primogênitos hebreus (judeus). É uma festa repleta de significados tanto para os judeus quanto para os cristãos. Os judeus deveriam comemorar a Páscoa no mês de Abib (corresponde à parte de março e parte de abril em nosso calendário), cujo significado são as “espigas verdes”. Javé queria que seu povo nunca se esquecesse desta comemoração especial, em função disso a data foi santificada, perpetuada. A Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem, festejarem e adorarem ao Senhor por tão grande livramento, que foi a sua libertação e saída do Egito. A Páscoa é celebrada com o uso de três elementos e tem um tríplice significado! Os três elementos são: o pão, as ervas amargas e o cordeiro sem mácula. O pão. Deveria ser assado sem fermento, pois não havia tempo para que o pão pudesse crescer (Êxodo 12.8,11,34-36). A saída do Egito deveria ser célere e a falta de fermento também representava a purificação, ou seja, a libertação do fermento do mundo. Em o Novo Testamento vemos que Jesus utilizou o fermento para ilustrar o falso ensino dos fariseus (Mateus 16.6, 11,12; Lucas 12.1; Marcos 8.15), todavia, o símbolo bíblico do fermento é sofisticado, servindo para ilustrar tanto a natureza insidiosa do pecado e da corrupção como o poder transformador do reino de Deus. O pão também simboliza vida. Jesus se identificou aos seus discípulos como “o pão da vida” (João 6.35). Toda vez que o pão é partido na celebração da Ceia do Senhor, traz à nossa memória o sacrifício vicário de Cristo, através do qual Ele entregou a sua vida em resgate da humanidade caída e escravizada pelo pecado possibilitando nova vida aqui e agora e para a eternidade àqueles que ao serem por Ele encontrados, o acolhem como Salvador e Senhor; As ervas amargas (Êxodo 12.8). Simbolizavam toda a amargura e aflição enfrentadas no cativeiro. Foram 430 anos de opressão, dor, angústia, quando os hebreus eram cativos do Egito; O cordeiro (Êxodo 12.3-7). Um cordeiro sem defeito deveria ser morto e o sangue espargido nos umbrais das portas das casas. O sangue era uma proteção e um símbolo da obediência. A desobediência seria paga com a morte. O cordeiro da Páscoa judaica era uma representação do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). O sangue de Cristo foi vertido na cruz para redimir todos os filhos de Adão (1Pedro 1.18,19). Aquele sangue que foi derramado no Egito, e aspergido nos umbrais das portas, aponta para o sangue de Cristo que foi oferecido por Ele como sacrifício expiatório para redimir a humanidade do pecado e consequentemente dos pecados. Além de ser celebrada com esses três elemento, a Páscoa tem um tríplice significado. O tríplice significado aplica-se aos egípcios; hebreus (judeus) e cristãos. Para os egípcios. Para os egípcios a Páscoa significou o juízo divino final sobre o Egito, Faraó e todos os deuses cultuados ali. O Senhor havia enviado várias pragas e concedido tempo suficiente para que Faraó se rendesse, deixando o povo partir. Deus é misericordioso, longânimo e deseja que todos se salvem (2Pedro 3.9b). Porém, Ele é também um juiz justo que se ira contra o pecado: “Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias” (Salmo 7.11). O pecado, a idolatria e as injustiças sociais suscitam a ira do Pai. O povo hebreu estava sendo massacrado pelos egípcios e o Senhor queria libertálo. Restava uma última praga. Então o Senhor falou a Moisés: “À meia-noite eu sairei pelo meio do Egito; e todo primogênito na terra do Egito morrerá” (Êxodo 11.4,5). Foi uma noite pavorosa para os egípcios e inesquecível para os israelitas; Para Israel. Era a saída, a passagem para a liberdade, para uma vida vitoriosa e abundante. Foi para isto que Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou ao terceiro dia, para nos libertar do jugo do pecado e nos dar uma vida cristã abundante (João 10.10). Enquanto havia choro nas casas egípcias, nas casas dos judeus havia alegria e esperança. O Egito, a escravidão e Faraó ficariam para trás. Os israelitas teriam sua própria terra e não seriam escravos de ninguém, para eles a Páscoa significou a liberdade após um longo período de cativeiro e jugo desumano; Para os cristãos. Como pecadores, nós os discípulos de Jesus Cristo também estávamos destinados a experimentar a ira de Deus, mas Cristo, o nosso Cordeiro Pascal, morreu em nosso lugar e com o seu sangue nos redimiu dos nossos pecados (1Coríntios 5.7). Para nós, cristãos, a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo. No Egito um cordeiro foi imolado para cada família. Na cruz morreu o Filho de Deus pelo mundo inteiro (João 3.16); “[…] Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Coríntios 5.7b). Para nós, os discípulos de Jesus Cristo a Páscoa também tem significado tríplice, pois aponta para Jesus, o Pão da Vida (João 6.35,48,51). Comemos pão para saciar a nossa fome, porém, a fome da salvação da nossa alma somente pode ser saciada por Jesus. Certa vez, Ele afirmou: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome” (João 6.35). Apenas Ele pode saciar a necessidade espiritual da humanidade. Nada pode substituí-lo. Necessitamos deste pão divino diariamente. Sem Ele não é possível a nossa reconciliação com Deus (2Coríntios 5.19); a Páscoa cristã remete também ao sangue de Jesus Cristo (1Coríntios 5.7; Romanos 5.8,9). No Egito, o sangue do cordeiro morto só protegeu os hebreus, mas o sangue de Jesus derramado na cruz proveu a salvação não apenas dos judeus, mas também dos gentios. O cordeiro pascal substituía o primogênito. O sacrifício de Cristo substituiu a humanidade desviada de Deus (Romanos 3.12,23). Fomos redimidos por seu sangue e salvos da morte eterna pela graça de Deus em seu Cordeiro Pascal, Jesus Cristo. Por fim a Páscoa cristã traz a memória o sacrifício vicário de Cristo por ocasião da celebração da Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor não é um mero símbolo; é um memorial da morte redentora de Cristo por nós e um alerta quanto à sua vinda: “Em memória de mim” (1Coríntios 11.24,25). É um memorial da morte do Cordeiro de Deus em nosso lugar. O discípulo de Jesus deve se assentar à mesa do Senhor com reverência, discernimento, temor de Deus e humildade, pois está diante do sublime memorial da paixão e morte do Senhor Jesus Cristo em nosso favor. Caso contrário, se tornará réu diante de Deus (1Coríntios 11.27-32). A Ceia do Senhor é um memorial da morte redentora de Cristo por nós e um alerta quanto à sua vinda. Portanto, como vimos, o rico significado da Páscoa é multifacetado, abrangendo tradições históricas, simbologias profundas e a essência da fé. Esta festividade transcende o tempo e o espaço, oferecendo um convite à reflexão sobre a vida, a morte, a crença na renovação e a eternidade. Seja por meio de tradições religiosas, celebrações familiares ou rituais comunitários, a Páscoa continua a tocar os corações de pessoas ao redor do mundo, unindo-as em um espírito de fé, esperança e alegria. Ao compreendermos o contexto e o impacto da Páscoa na sociedade moderna, e na vida de cada um que tem Jesus como Senhor, podemos realmente apreciar a profundidade do que esta celebração representa e desfrutar das transformações que são possíveis a todos aqueles que tem fé em Jesus Cristo, nossa Páscoa. Que nesta Páscoa você seja alcançado e transformado pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e dá possibilidades de vida abundante e frutífera. Deus te abençoe! V. A. Duarte, Pastor Batista, Professor e Escritor. Licenciado em Pedagogia; Licenciado em História; Licenciado em Filosofia; Bacharel em Teologia. Pós-graduado em Gestão Escolar; Pósgraduado em Psicopedagogia e Educação Especial; Pós-graduado em Psicologia Clínica; Pósgraduado em Filosofia e Sociologia; Mestre em Divindade. Autor do livro Conselhos para viver melhor: aprendendo com grandes sábios da humanidade – Editora Palavra Viva. Contato para maiores informações: Whatsapp (67) 9 9991 4991